Especial Zodíaco: O touro que deu asas à imaginação

Neste post, continuaremos a odisseia que busca esclarecer os mitos que circundam as constelações do zodíaco, situadas na Eclíptica, o caminho aparente do Sol. Trataremos, agora, do Touro (ou Tauro), uma das maiores e mais proeminentes constelações no céu invernal do hemisfério norte, como também, uma das mais velhas, citada no início da Era do Bronze – de 3300 à 2100 A.C.- quando marcava a posição do Sol durante o equinócio da primavera, tal atribuição, mais tarde, seria de Áries. E sua importância para o calendário da agricultura influenciou a criação de diversas figuras bovinas nas mais variadas mitologias do mundo antigo, como egípcia, grega, romana, entre outras.

Esta constelação é detentora de algumas características de grande interesse astronômico, entre elas, as Plêiades e as Híades, que são dois dos aglomerados estelares mais próximos à Terra. A gigante vermelha Aldebarã é sua estrela mais brilhante, a sonda espacial Pioneer 10, já encerrada, foi lançada tendo-a como destino. E no mês de novembro, a chuva de meteroros Taurídeas provindos de sua direção cruza os céus terráqueos.

O símbolo taurino:

A identificação desta constelação com um touro é bastante antiga, certamente data da Idade do Cobre, ou até do Paleolítico superior. Estudiosos acreditam que ela já era representada em pinturas rupestres em Lascaux (por volta de 15 mil anos A.C!), e que viria retratada junto as Plêiades. O termo “sete irmãs” fora usado em várias línguas de diversas culturas, incluindo grupos indígenas da Austrália, América do Norte e Sibéria, sugerindo que sua nomeação tenha uma origem comum.

Num antigo conto babilônico, a Epopeia de Gilgamesh, a deusa Ishtar envia Gugalanna, o Touro Celestial para matar Gilgamesh. Mas seu amigo Enkidu arranca as partes posteriores do animal e as espalha pelo que seria identificado pelas constelações de Ursa Maior e Ursa Menor. Em uma arte mesopotâmica antiga, o mesmo touro está bastante associado com Inanna, uma deusa suméria do amor erótico, fertilidade e da guerra.

Outra representação relevante do Touro Celestial está descrita no Zodíaco de Denderá, esculpido em baixo relevo numa capela dedicada a Osíris no templo de Hator em Denderá, no Egito. Na mesma obra, verifica-se uma citação a constelação de Libra. Para os egípcios, a constelação taurina estava associada à renovação da vida na primavera. Com o equinócio primaveril, a constelação seria coberta pelo Sol, e esse sacrifício guiaria à renovação da vida. Para os primeiros Hebreus, o Touro simbolizava sua primeira constelação do zodíaco e era representado pela primeira letra de seu alfabeto, Aleph.

Para os gregos, num primeiro conto, ele é identificado como Zeus, que tomara a forma de um lindo touro branco que abduzira Europa, uma lendária princesa, e a levara através dos mares até a ilha de Creta, onde haveriam se relacionado. Para eles a parte submersa do Touro não seria representada na figura celeste. Em outro conto, Zeus teria disfarçado Io, uma de suas incontáveis amantes, de novilha para escondê-la da fúria de Hera. Numa terceira história, a figura referiria ao Touro de Creta, uma fera que aterrorizava a região e que teria sido capturado por Hércules, em um de seus doze trabalhos.

Mas as representações não acabariam por aí, druidas a refeririam no seu festival taurino, povos árticos a citariam como o espírito de um urso polar, e, no Budismo, lendas suportariam a ideia de que Gautama Buddha nascera quando a lua cheia estivera em Vaisakha, ou Touro. Com isso, vemos que o Touro tem inúmeros motivos para estar entre as estrelas.

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Referências:

https://en.wikipedia.org/wiki/Taurus_(constellation)#cite_note-NASA20030225-58

https://www.nasa.gov/centers/ames/news/releases/2003/03_25HQ.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Dendera_zodiac

https://en.wikipedia.org/wiki/Epic_of_Gilgamesh

https://en.wikipedia.org/wiki/Bronze_Age#Age_sub-divisions

https://en.wikipedia.org/wiki/Chalcolithic

https://en.wikipedia.org/wiki/Gautama_Buddha

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Davson Filipe é Técnico em Eletrônica, WebDesigner e Editor do Realidade Simulada – Blog que ele próprio criou com propósito de divulgar ciência para o mundo. Fascinado pelas maravilhas do universo, sonha em um dia conhecer a Nasa.