Pesquisadores de ondas gravitacionais ganham o prêmio Nobel de Física

Três físicos que lideraram o experimento LIGO, que fez a primeira detecção de ondas gravitacionais, irão compartilhar o prêmio deste ano.

Prêmio Nobel

Como muitos esperavam, o Prêmio Nobel de Física este ano irá para três cientistas que lideraram a busca de 50 anos para detectar ondas gravitacionais. Rainer Weiss, Barry C. Barish e Kip S. Thorne vão compartilhar o prêmio por seu trabalho no Observatório de Onda Gravitacional do Interferômetro Laser (LIGO), que em 2016 anunciou a detecção de ondulações no espaço-tempo pela primeira vez.

“O prêmio deste ano é sobre uma descoberta que abalou o mundo”, disse Göran K. Hansson, secretário-geral da Real Academia Sueca das Ciências, nesta manhã na conferência de imprensa do Prêmio Nobel anunciando o prêmio. Ele estava falando em termos figurativos e literais sobre uma conquista científica que conquistou manchetes em todo o mundo, originadas em cataclismos cósmicos cujas repercussões nós sentimos na Terra, a bilhões de anos-luz de onde partiram.

Pesquisadores de ondas gravitacionais ganham o prêmio Nobel de Física

“É realmente maravilhoso”, disse Weiss esta manhã por telefone na conferência de imprensa do Prêmio Nobel. “Eu vejo isso como o reconhecimento do trabalho de cerca de 1000 pessoas”. O LIGO envolve cientistas de cerca de 90 instituições nos cinco continentes.

O experimento já relatou quatro observações separadas de ondas gravitacionais. O último, anunciado há menos de uma semana, foi feito em conjunto com o experimento europeu Virgo. “Pensando nisso, tentando fazer uma detecção nos primeiros dias, às vezes tentando e falhando”, lembrou Weiss. “É muito, muito emocionante que tenha finalmente funcionado”.

Ondas Gravitacionais

As ondas gravitacionais, previstas pela primeira vez há mais de 100 anos pela teoria geral da relatividade de Albert Einstein, são vibrações no tecido do universo criado quando curvam dobram o espaço-tempo ao seu redor. Os sinais que o LIGO viu até agora provêm de colisões entre dois buracos negros – curvadores cósmicos cuja violência está além da imaginação.

“Esta é uma conquista verdadeiramente notável que contempla quase 50 anos de esforços experimentais”, disse Nils Mårtensson, presidente do comitê do Prêmio Nobel de Física.

Metade do prêmio de 9 milhões de coro sueco (US$ 1,1 milhão) vai para Weiss, físico do Massachusetts Institute of Technology, que liderou o esforço para projetar e construir o LIGO nos seus primeiros dias. Thorne, físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), é co-fundador do experimento que liderou o trabalho teórico para prever como seriam os sinais de colisões de buracos negros. Barrish, também físico da Caltech, é responsável por ajudar o experimento a alcançar a extrema precisão necessária para detectar ondas gravitacionais.

Scientific American]

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Davson Filipe é Técnico em Eletrônica, WebDesigner e Editor do Realidade Simulada – Blog que ele próprio criou com propósito de divulgar ciência para o mundo. Fascinado pelas maravilhas do universo, sonha em um dia conhecer a Nasa.