Uma remessa internacional aparentemente banal terminou revelando um caso de tráfico de patrimônio arqueológico. Agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) interceptaram na cidade de Filadélfia dezenas de armas antigas provenientes da região nordeste do Irã, incluindo 36 espadas curtas e 50 pontas de flecha de liga de cobre datadas do final do segundo milênio a.C.
O carregamento foi identificado após chegar aos Estados Unidos em um voo de entrega expressa originado nos Emirados Árabes Unidos, em 16 de outubro do ano passado. Na documentação alfandegária, os itens haviam sido declarados como simples “artigos de decoração em metal”, destinados a um endereço na cidade de Jacksonville, no estado da Flórida.
Contudo, uma inspeção por raio-X realizada por agentes da alfândega revelou formatos incompatíveis com a descrição oficial, sugerindo a presença de lâminas semelhantes a espadas. A discrepância levou os agentes a abrir a remessa e reter o material para investigação. Dentro da embalagem, encontraram as dezenas de armas antigas cuidadosamente acondicionadas.
Tráfico de peças arqueológicas
Diante da possibilidade de contrabando de patrimônio arqueológico, a Alfândega dos EUA acionou a Unidade de Antiguidades do Centro Nacional de Alvos, que solicitou a avaliação de um arqueólogo afiliado a uma universidade da região da Filadélfia com experiência em pesquisas no Oriente Médio. Após examiná-las, o especialista concluiu que as peças eram autênticas e datavam entre aproximadamente 1600 e 1000 a.C.
Segundo a análise, os artefatos provavelmente se originam da região das Montanhas Talish, uma área de relevo elevado e densamente florestada situada ao longo da costa sudoeste do Mar Cáspio, no noroeste do Irã e no sudeste do Azerbaijão. As autoridades suspeitam que as peças tenham sido obtidas por meio de escavações ilegais em sítios funerários — uma prática recorrente em áreas arqueológicas remotas e difícil de monitorar devido ao terreno acidentado.
Armas antigas como espadas e pontas de flecha costumam ser particularmente visadas por traficantes de antiguidades. Além de visualmente impressionantes e relativamente fáceis de transportar, esses objetos podem alcançar preços elevados no mercado clandestino internacional, sobretudo quando associados a civilizações antigas do Oriente Médio.
Apreensão do material
De acordo com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, a inconsistência entre a descrição declarada na documentação e as imagens obtidas no scanner foi decisiva para a interceptação da remessa. Após a confirmação da natureza arqueológica dos itens, os agentes realizaram a apreensão oficial do material em 18 de fevereiro.
As autoridades agora mantêm as peças sob custódia enquanto se decide seu destino final, que pode incluir repatriação ao país de origem ou uso como evidência em investigações sobre redes de tráfico de artefatos. “O objetivo dos nossos agentes é resgatar artefatos culturais das mãos de comerciantes internacionais ilegais que exploram o patrimônio de outras nações para obter lucro”, afirma Elliot Ortiz, diretor interino do porto da agência na Filadélfia, em comunicado.
Segundo ele, práticas enganosas utilizadas para contrabandear peças históricas não apenas violam leis de importação, como também prejudicam esforços globais de preservação do patrimônio cultural. Como destaca o blog Ancient Origins, quando artefatos são retirados clandestinamente de sítios arqueológicos, o prejuízo científico costuma ser irreversível.
Isso ocorre porque o valor histórico de um objeto não depende apenas de sua antiguidade, mas também do contexto em que foi encontrado, como a camada de solo, os objetos associados e a estrutura funerária ou habitacional que o cercava. A pilhagem de túmulos e sítios arqueológicos destrói esse contexto, impedindo pesquisadores de reconstruir com precisão aspectos sociais, tecnológicos e culturais das sociedades antigas.
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